Faro inaugura a "catedral do motociclismo".

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Faro inaugura a "catedral do motociclismo".

Mensagem por Kuhn em Sab Jun 02, 2012 9:19 pm

O Moto Clube de Faro (MCF) tem nova sede, e abre as portas ao público neste sábado para a dar a conhecer à cidade como é por dentro uma "casa de memórias", com três décadas de história feita nas curvas da estrada e da vida.



O presidente do MCF, José Amaro, aos 59 anos, mantém o corte de cabelo pelos ombros, e a irreverência que fazem dele um eterno jovem. Só não gosta de uma coisa: "De gajos muito certinhos."

O edifício, de linhas arquitectónicas modernas, surge como um cartão-de-visita para quem chega a Faro, vindo de Olhão pela Estrada Nacional (EN) 125. Os amplos espaços de convívio, dentro e fora do imóvel, sugerem o espírito de liberdade - apanágio desta instituição com 31 anos.

A construção custou cerca de um milhão de euros, sem contar com o trabalho dos voluntários, e o terreno foi cedido pelo município. Hoje, estão convidados todos os sócios e membros de outros clubes, portugueses e estrangeiros. No domingo é a vez de as portas se abrirem à população, simbolizando com esse gesto uma maior interactividade com a cidade. A inauguração, com as entidades oficiais, foi na quinta-feira, sem direito a descerramento de placa.

José Amaro aproveitou a presença do presidente da Câmara de Faro, vestido de fato e gravata, para admitir que os motociclistas "não são, normalmente, muito bem vistos" mas isso, disse, não o preocupa. A este propósito recordou que o ex-governador civil Cabrita Neto "foi uma das pessoas que mais ajudaram o MCF", apesar de, no início do mandato, só "ver dificuldades - e ele próprio criou dificuldades"; mas a partir do ano em que entrou numa das habituais concentrações "tudo mudou". Macário Correia elogiou a postura do líder dos motociclistas de Faro. Ao edifício, agora inaugurado, chamou "catedral do motociclismo", numa alusão ao arrojo do projecto de arquitectura, da autoria de Miguel Caetano.

A obra, que durou oito anos, foi levada a cabo com fundos próprios e um empréstimo bancário, "mas sobretudo com muitas ajudas". Além do espaço de convívio, existe uma zona de camaratas, com 14 camas, para os visitantes, e cozinha. À entrada para os dormitórios destacam-se duas fotografias - Che Guevara e Jack Nickolson com as respectivas motos. Estas e outras imagens, nas paredes, evocam as emoções e sentimentos de liberdade associados à paixão pelas motos, mas também a história do clube, protagonizada pelos actuais dirigentes e por outros que foram apanhadas na contracurva da morte. "Os nossos", evocou José Amaro, com uma lágrima rebelde nos olhos, apontando para a placa que se encontra ao cimo da escada, a lembrar os ausentes.

De Castelo Branco, Jorge Briosa deslocou-se a Faro para participar na festa, com uma dupla satisfação: "Estar com os meus amigos e ver o resultado do meu trabalho." Foi ele que fez os símbolos do MCF, em aço inox, que se encontram no edifício. "Vivo a 400 quilómetros daqui, gozo duas semanas por ano na concentração, achei que devia dar o meu contributo generoso nesta área, porque tenho uma indústria de metalo-mecânica." A seu lado, José Afonso, de Faro, admirava, a partir da esplanada virada para a ria Formosa, as linhas arquitectónicas do imóvel. "Dignifica a cidade, é um orgulho para todos", disse. Questionado sobre a catalogação do clube como sendo uma "tribo", comentou: "Não concordo de forma alguma, estamos abertos à comunidade." A título de exemplo acrescentou que a instituição comparticipa em obras de solidariedade social.

Um "filósofo da vida"

Durante o discurso, José Amaro reconheceu que muitas vezes é visto como se fosse uma pessoa estranha. "Com uma idade dessas [59 anos], andar com esta cabeleira, está desenquadrado" - esta é uma ideia que, admitiu, pode transmitir a quem o julga só pelo aspecto. Mas, logo a seguir, rematou, com risos da assistência: "Também não era agora que ia mudar." Uma das preocupações que o dominavam, em dia de cerimónia, era salientar a lista dos agradecimentos, mas a determinada altura, abreviou: "Tenho de me calar, senão daqui a pouco pareço o Fidel Castro."

De seguida, apontou para outro dos históricos do clube, Fernando Fernandes - "o Pacaças" para os amigos -, para sublinhar que a projecção que a instituição ganhou no país e estrangeiro, em grande medida pela concentração internacional de motos, deve-se à forma como tem sabido congregar boas vontades e pessoas de todas as formações. "Sempre aqui dentro tem havido um equilíbrio - uns mais malucos, outros menos malucos, mas a sociedade funciona assim, com todos os defeitos e virtudes." "[No moto clube] temos muitos defeitos e ainda bem que temos - um gajo muito certo, com todas as leis cumpridas... eh, pá, isso era uma grande aberração." Sobre a nova sede José Amaro disse que se trata de "uma simples casa", sem pretensões, a não ser servir a comunidade. "Quem vai fazer o moto clube são as pessoas que vêm para cá." A qualidade das instalações, lembrou, só por si, não cumpre os objectivos. "Isto pode ser uma boa casa, mas o conteúdo pode não ser bom." Numa alusão à Assembleia da República, afirmou: "Estou-me a lembrar do Palácio de S. Bento, a casa é boa, mas o conteúdo às vezes é mau." Não faltaram palmas e assobios. O autarca Macário Correia chamou-lhe um "filósofo da vida".

Protestos contra as portagens

O líder dos motociclistas de Faro diz que "a única forma de protestar contra as portagens na Via do Infante, é circular pela EN 125". Por isso, José Amaro afirma que vai recomendar aos participantes da próxima concentração internacional de motos que circulem pela velha estrada nacional, embora reconheça que não possui condições de segurança.

"Temos de protestar", enfatiza, alegando que nem sequer as obras de requalificação, que tinham uma previsão de conclusão para antes do início do Verão, estão sequer feitas. Os trabalhos, por falta de financiamento dos bancos aos empreiteiros, estão parados há cerca de dois meses, não existindo previsão para o recomeço.

Os motociclistas reiteram os protestos, lembrando que a "EN 125 não passa de uma rua, com obras por concluir". A introdução de portagens, enfatiza José Amaro, "está à vista - é negativo para o Algarve". Além da anunciada quebra de receitas no sector do turismo, acrescenta o motociclista, "aumenta o número de acidentes na EN 125, pois se o tráfego já é caótico, quanto chegar ao Verão vai ser descomunal".


Video: http://www.digitalmaistv.com/videos/2095.html

Fonte: http://www.publico.pt/Local/faro-inaugura-a-sua-catedral-do-motociclismo-1548652?all=1





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